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sábado, agosto 20, 2011

Na noite alentejana

Sinto falta
Do cheiro noturno a pasto quente
Do chocalhar das vacas que pastam no restolho
Do voar baixo do mocho ao sair da toca da azinheira,
empoleirando-se na cerca
Do grito do alcaravão que anuncia a escuridão da noite
Do planar suave e alvo da coruja que cintila ao luar
Do cante do grilo que entoa pelos vales
Da via láctea presa ao infinito do céu estrelado
Sinto falta de me deitar na frescura da noite, sobre a terra…

Monte do Vale e Leiria, Agosto de 2011

quarta-feira, abril 28, 2010

Rios Vermelhos

E se eu vou por aí... quem sabe!
Correndo, recostado aos calcanhares da minha sombra
tentando alcançá-la nos contornos cortantes das pedras
do muro... muro velho que o tempo teima em apagar,
levar para o esquecível onde o meu sangue coalha e forma
Rios vermelhos petrificados oriundos de enxurradas
Eu sei... ai eu sei...
Já não quero viver mais assim... quem sabe!..
Arde, arde por favor...
estala em ti tuas tábuas ressequidas
que outrora foram verdejantes
consome-te, desfaz-te, mirra-te
reduz-te a pó cinzento.

Sebast, Intemporal

quinta-feira, junho 25, 2009

Em Mim

Viajo em mim
parado em mim
dentro de mim
De mim quero fugir
De mim quero escapar
Por mim preciso voar
Por mim preciso me libertar.
correrR
saltaR
ultrapassaR
viveR
sentiR
paraR ………………………
…………………….
saber dar espaço ao tempo
para que o tempo se espace
se contenha
se acalme
se interiorize
se entrelace
se cative
se acaricie

enfim, se atempe.

Sebast, 23-06-2009

domingo, fevereiro 15, 2009

Macelas


É Inverno! Bem haja o tempo das chuvas!
É no prado alentejano onde cada gota de água é uma benção, e onde cada ser luta por um lugar ao sol, que podemos encontrar verdadeiros mantos brancos destas pequenas mas majestosas plantas ... Elas são das primeiras a florir em pleno Inverno, antecipando-se assim ao comum desabrochar primaveril da maioria das flores!

Nas ladeiras esbranquiçadas,
onde costumo rebolar,
sinto o aroma das macelas
no meu corpo a bailar.

Sebast, 15-02-2009

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Reflexos entre dois mundos

Ao esvaziar a Lua Cheia, deixo de ver a água tépida que corria por entre as pedras do rio de água fossilizada.
Fica a penumbra dos galhos das árvores inexistentes que acalentavam outrora uma corrente inesgotável de vida.
De entre os últimos suspiros vitais saem as primeiras energias confusas, gloriosas por merecerem a bênção do além.
Um novo mundo começa a encher-se de almas vazias que vagueiam pelos espelhos sombrios dos sucumbidos seres apodrecidos.
Formas voláteis e moldáveis nas mais imagináveis espiritualidades, reúnem-se na mesma fonte onde se interiorizam, onde me encontram...


Sebast, 04-11-99

sábado, janeiro 31, 2009

Escape

Caminho por entre as árvores sem ramos,
calçado sem sapatos, enlameado sem água, estonteante, perdido,
à procura do alívio dos seres, enfim à deriva, sem destino,
com certezas, apenas a certeza de querer ser livre,
eloquente, ao ponto de me transformar nas notas de música da pauta
que esvoaçam de tronco em tronco...

Sebast, 28-10-2001

sexta-feira, janeiro 23, 2009

É por isto que existimos?!

Nestes dias que passam, vejo o mundo a andar à roda,
vejo o mundo a andar para trás,
vejo tudo às avessas...
Não sinto aquilo que gostaria de sentir,
não pareço ser aquilo que gostaria de ser...
Apenas me reduzo à insignificância deste cruel mundo, deste paraíso esquecido que parece ter sido cravado no silêncio...

Será o vento da mudança?! Ha! Ha! Ha!...
O último bater de asas de uma borboleta,
o último pousar de uma libélula?
Será tempo de rumar para novos horizontes? Ha! Ha! Ha!
O último sopro do deserto, ou...
apenas o primeiro
bafejar de uma nova era,
o espirrar de uma nova extrema-unção,
o trilhar de uma nova tempestade,
o espicaçar de uma nova vida,
o alvorecer de um novo vulcão?!

Iha! Ihé!...e...Iha!
No it’s time to stop!
Que se acalmem as águas agitadas,
Que se agitem as pedras presas,
Que se soltem as aves do turbilhão,
Que se desenrolem os degraus das escadas,
Que se parta o silêncio frio e sufocante das almas mais espevitadas da Terra....Oh...oh!....oh!....

Sebast, 01 de Janeiro de 2005

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Vento

Não quero ficar preso no vento, mas quero esvoaçar.
Não quero ser levado p’ra longe, mas quero abalar.
Corrida sem destino ao lado do tempo,
pelos infindáveis campos doirados,
onde as espigas se retocam, como se de um ritual se tratasse...
Ao sabor do vento emanam melodias inimagináveis, apenas descritíveis por quem as conhece, por quem nelas cresceu.
Já ao entardecer,
o trigo começa a suspirar,pela falta de quem lhe deu cor - o sol.
Sebast, intemporal

domingo, janeiro 18, 2009

O Piano

Corro sobre o mar,
em direcção à escarpa alcanço a falésia,
delicio-me ao som das teclas do velho piano
que emerge das profundezas do oceano,
que enfurece as águas calmas,
que agita a fina areia marcada pelos meus pés…
Volto à praia,
sinto-me que a explodir,
não sei bem de quê,
talvez da imensidão do mar,
da melodia do som que persiste dentro de mim,
do bafejar das árvores,
do guinchar das aves,
dos braços de sol,
enfim daquelas insistentes teclas que batem em mim,
me atravessam a alma,
me vacilam,
me contorcem,
me enaltecem,
me acalentam,
me levam até ao Nirvana!

16 Junho 2008
De Sebast para Ulisses

sábado, janeiro 17, 2009

Assolapado…

Corro dentro de mim como se de uma busaranha se tratasse….
passada atrás de passada apressada repenicada, tresloucada ofegante….
em direcção ao inconstante, ao consciente de mim mesmo!!!
Corrupio afora adentro intrínseco, alagado de sangue em chamas,
de arrepios de calor ardentes, escaldantes, nevrálgicos,
sucumbidos, intermitentes…

Leiria, 04 Janeiro de 2009
De Sebast para o "filhote"