sábado, agosto 20, 2011

Na noite alentejana

Sinto falta
Do cheiro noturno a pasto quente
Do chocalhar das vacas que pastam no restolho
Do voar baixo do mocho ao sair da toca da azinheira,
empoleirando-se na cerca
Do grito do alcaravão que anuncia a escuridão da noite
Do planar suave e alvo da coruja que cintila ao luar
Do cante do grilo que entoa pelos vales
Da via láctea presa ao infinito do céu estrelado
Sinto falta de me deitar na frescura da noite, sobre a terra…

Monte do Vale e Leiria, Agosto de 2011

terça-feira, março 29, 2011

Preciosidades do Alentejo


Flores, maravilhosos seres...
Tonalidades fortes tipicamente primaveris, cheias de vitalidade em todo o seu esplendor...
E se todos fôssemos constituídos por pequenas e singelas pétalas como estas belíssimas flores? Seríamos todos mais felizes, com menos preocupações decerto... Viveríamos em harmonia, sem conflitos e apenas desejosos por uns raios de sol e umas gotas de orvalho para mantermos a nossa vivacidade...
É esta paz interior que se pode sentir no Alentejo mais profundo, longe dos olhares quotidianos agitados, inquietantes e citadinos...

terça-feira, setembro 14, 2010

Bico bico sarabico

Bico bico sarabico
Quem te fez tamanho bico?
Foi a vaca chocalheira que pôs ovos na ribeira
Para a filha da tendeira que é gulosa e lambedeira!
Varre varre vassourinha
Varre varre vassourão
Tira a mão que é caca de cão.


Lengalenga popular

quinta-feira, agosto 05, 2010

Licores ... com espírito silvestre


Licores....

Bebidas sedosas de indescritíveis texturas ...
... que apelam ao despertar dos mais puros sentidos ...
... que reconfortam numa noite quente de Inverno à volta da lareira ...
... ou que refrescam numa solarenga tarde de Verão!

É infinita a panóplia de licores que se podem imaginar e elaborar...

Basta ter um pouco de astúcia, saber quais os ingredientes básicos e depois é só deixar fluir a imaginação...

Realço aqueles que vão buscar inspiração ao seio da mãe natureza, que transportam consigo as essências e os benefícios das plantas silvestres que crescem ao sabor do vento, ao respingar de uma alvorada, ao cair de uma tarde de aragem fresca...

Já sentiu a envolvência dos aromas?!...

Deixo aqui com gratidão a minha sugestão:

Licor de Amoras e Abrunhos Silvestres

Ingredientes:
0.5 l de aguardente
0.5 l de água
0.3 kg de açucar amarelo
Uma mão cheia de amoras silvestres frescas e bem maduras
Uma mão cheia de abrunhos silvestres frescos e bem maduros

Confecção:
Deixar macerar as amoras e os abrunhos juntamente com a aguardente durante cerca de um mês.

Ferver a água com o açúcar durante cerca de 5 minutos. Retirar do lume e adicionar a aguardente já coada. Deixar arrefecer e engarrafar.

Colocar em repouso durante cerca de 2 meses antes de consumir.

Depois é só deliciar-se...

quarta-feira, abril 28, 2010

Rios Vermelhos

E se eu vou por aí... quem sabe!
Correndo, recostado aos calcanhares da minha sombra
tentando alcançá-la nos contornos cortantes das pedras
do muro... muro velho que o tempo teima em apagar,
levar para o esquecível onde o meu sangue coalha e forma
Rios vermelhos petrificados oriundos de enxurradas
Eu sei... ai eu sei...
Já não quero viver mais assim... quem sabe!..
Arde, arde por favor...
estala em ti tuas tábuas ressequidas
que outrora foram verdejantes
consome-te, desfaz-te, mirra-te
reduz-te a pó cinzento.

Sebast, Intemporal

terça-feira, julho 28, 2009

Berlengas, Portugal - The paradise of the seagulls


Berlengas, a small island located near Peniche, is one of the most important ecosystems of Portugal.

Berlengas, classified since 1981 as a Natural Reserve of Berlengas, is since June 2011 a Biosphere Reserve by UNESCO, which seeks a balance between local activities and preservation of biodiversity.

The most numerous bird that exists in Berlengas is a seagull - Larus cachinnans.

quinta-feira, junho 25, 2009

Em Mim

Viajo em mim
parado em mim
dentro de mim
De mim quero fugir
De mim quero escapar
Por mim preciso voar
Por mim preciso me libertar.
correrR
saltaR
ultrapassaR
viveR
sentiR
paraR ………………………
…………………….
saber dar espaço ao tempo
para que o tempo se espace
se contenha
se acalme
se interiorize
se entrelace
se cative
se acaricie

enfim, se atempe.

Sebast, 23-06-2009